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Habitat

Rachel Armstrong redefine a arquitetura, projetando em suas pesquisas arquitetônicas o uso das protocélulas

Rachel Armstrong

Veneza está afundando e para salvá-la, Rachel Armstrong diz que é preciso superar a arquitetura feita de materiais inertes e criar uma arquitetura que cresce por si próprio, capaz de regenerar-se como organismos vivos.

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Lhe chamaram de ciência criativa, intelectual enciclopédica, arquiteta. Mas, Rachel Armstrong, se define, não só projetista de arquitetura vivente, mas, também, bióloga de síntese.

No final de 2008, quando viu uma gota redonda salpicar, aqui e ali em um prato, dando forma a um bloco de construção elementar, Rachel percebeu que se tratava da combinação entre uma ferramenta de projeto e um agente biológico. Foi então que, compreendendo esses dois aspectos, Rachel resolveu analisar o potencial na área de projeto arquitetônico.

Segundo Rachel Armstrong, a superfície dos prédios pode oferecer uma grande oportunidade de interagirmos, de maneira natural e saudável, com o mundo que nos cerca. Vários exemplos dessa conexão têm sido usados por arquitetos ao longo dos anos, como a ponte viva de Cherrapungi, no nordeste da Índia, que é de ramos naturais guiados pela mão humana, um vão de mais de 30 metros, que suporta o peso de 50 pessoas; as obras de Gaudí (1852-1926), que, através de tecidos recheados de argila, ganhavam forma, graças à gravidade e, segundo o arquiteto americano Matthias Hollwich, será possível criar cidades com energia fornecida pelas plantas.

Rachel, em suas pesquisas arquitetônicas, redefine a arquitetura e faz projetos com o uso das protocélulas que é muito semelhante a um sistema operacional. Elas são uma espécie de tecnologia viva, pois se movem, “sentem” e modificam o ambiente a sua volta, apesar de não terem nenhum DNA. “É como uma plataforma de distribuição, um recipiente onde você pode colocar a informação química que pode ser distribuído no espaço e no tempo, dando origem a resultados bastante diferentes”. Afirma Rachel.

Em um de seus experimentos, conseguiu reproduzir uma substância aparentada do calcário, a partir de dióxido de carbono dissolvido em água. Armstrong acredita, que essa tecnologia poderá ser a alternativa para salvar Veneza, na Itália, uma das cidades mais belas da humanidade e que está sendo ameaçada de ser totalmente coberta pelo mar.

Veneza é construída sobre estacas de madeira que têm sido corroídas com o passar dos anos. Como a bela cidade continua a afundar, Armstrong espera que a tecnologia protocell seja capaz de recuper a cidade, fazendo crescer um recife de calcário em torno das estacas. Essas células seriam usadas para fins de reforço, ao invés de apenas criar um recife nos canais.

Seu projeto de pesquisa que vai além da biônica, Não é uma questão de copiar a biologia ou de construir estruturas ao Buckminster Fuller, significa usar a física e a química de uma forma muito prática. Sublinha Armstrong.

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